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Conceitos antigos de epilepsia

O primeiro relato detalhado da epilepsia está no Museu Britânico, em Londres. É parte de um texto babilônico em medicina, Sakikku [Todas as doenças], que foi escrito mais de 3000 anos atrás, ou seja, antes de 1000 aC. Os babilônios foram atentos observadores dos fenômenos clínicos e forneceram descrições notáveis de muitos dos tipos de crises que reconhecemos hoje, incluindo o que chamaríamos de crises tônico clônicas, ausências, ataques de gota, e crises parciais simples. Eles também entenderam alguns aspetos do prognóstico, incluindo a morte no estado, bem como fenómenos pós-ictais. Os babilônios não tinham noção de patologias, no entanto, a cada tipo de crise, foi associada a invasão do corpo por um espírito maligno caracterizado com nome indidual. Assim, o tratamento não era médico, mas espiritual. 
Esta visão sobrenatural tem dominado o pensamento sobre a epilepsia até muito recentemente e ainda hoje continua a ser uma influência social negativa profundamente enraizada em algumas partes do mundo. Os Gregos sugeriram pela primeira vez que o cérebro era a sede da doença, uma vez que era também o mediador do intelecto, do comportamento e das emoções. Num texto famoso Hipócrates declarou: "Eu não acredito que a doença sagrada seja mais divina do que qualquer outra doença, mas, pelo contrário, tem características específicas e uma causa definida. No entanto, porque é completamente diferente de outras doenças tem sido considerada como uma visitação divina por aqueles que, sendo apenas humano, a vêem com ignorância e espanto. Hipócrates também tinha alguma noção de que a epilepsia podia tornar-se crônica e intratável se não tratada precocemente e de forma eficaz, embora não sejam claros os tratamentos que ele tinha em mente: "Além disso, pode ser curada não menos do que outras doenças, desde que não se torne inveterada e poderosa demais para as drogas que serão administradas. Quando a doença se torna crônica, torna-se incurável.
Infelizmente, o conceito de Hipócrates de um distúrbio cerebral tratável teve pouca influência sobre a visão sobrenatural em vigor, como é bem descrito na história acadêmica de epilepsia desde os gregos até o final do século 19 por Temkin.

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